sábado, 10 de dezembro de 2011

NO MESMO DIAPASÃO...

Seguem Canavieiras, Ilhéus, Itabuna, no mesmo compasso, no mesmo rítmo, sem métrica, sem rima; com seus passos trôpegos, se esbarrando aqui e ali, numa eterna perturbação de quem não sabe o quer nem pra onde vai...!

O casarão da foto foi construído em 1927 pela família Carneiro. Ainda em vida, D. Anísia Carneiro doou a mansão à Prefeitura Municipal de Canavieiras, para que esta a restaurasse e fizesse dela o que melhor entendesse, como espaço público.  

A partir de então, aventou-se que o casarão seria restaurado para abrigar o Museu Histórico de Canavieiras. 

Vários anos já se passaram e o prédio está em ruínas, como se observa na foto.

BIG MAC NELES!

Tem pai e mãe que são cegos!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

COMO SE VOLTA SEM NUNCA TER IDO?

Religião é assunto de difícil dissussão!  

Contudo, não posso e não devo me calar diante das frases sem nexo que costumo ler em alguns lugares, inclusive nos parabrisas e parachoques dos automóveis.

Uma que li hoje é esta aí ao lado:

"JESUS ESTÁ VOLTANDO!" 

Com pode alguém que nunca se foi estar de volta!?

Lembro-me de ter lido no 
Seu Evangelho que:

"Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles" (Mt 18, 20).

Ora, ao dizer isso, Jesus afirma que está presente entre nós!  Caso contrário Ele poderia ser chamado de mentiroso.

O que Jesus também disse, e que poderia suscitar dúvidas sobre sua permanência entre nós, foi:

"Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará um outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco: - O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas, quanto a vós, conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. - Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito." (São João, cap. XIV, vv. 15, 16, 17, 26.) 
Tal afirmativa em nenhum momento significa que Jesus nos deixaria.  Até porque "um outro Consolador" nada mais é que uma plêiade de Espíritos Superiores presidida por Ele  -  Jesus  -,  da qual os homens passariam a receber novas instruções dali por diante.  Ou seja, a humanidade estava madura o suficiente para receber e entender essas novas instruções vindas dos Espíritos.

Outra asneira que costuma ser usada pelos que gostam de explorar a fé dos menos esclarecidos e incautos é frase abaixo:

"Deus é Fiel" 
 
Será que Deus deu  procuração para que um homem pudesse falar de seus atributos?  Além disso, afirmar que Deus é fiel é semelhante a dizer que o ar é imponderável ou que a vida material finda com a morte.  Nada é mais evidente que isso!

Se Deus não tivesse os atributos como a imutabilidade, infalibilidade, onisciência, onipresença, eternidade, não seria Deus.  Poderia ser qualquer outra coisa, menos Deus.

A nenhum homem e, nem mesmo a qualquer outra criatura do universo, é dado o direito de suspeitar da fidelidade divina. Isto é, que Ele possa um dia derrogar suas próprias Leis.

Logo, dizer que Deus é fiel não passa de uma tola abstração sem qualquer significado.  Uma definição boba com o uso da pobre e incompleta linguagem humana, cuja finalidade é unicamente seduzir os trouxas!

Mais lógico seria afirmar que Deus é a

"Inteligência Suprema e a Causa Primária de Todas as Coisas"

Que sua Bondade é Infinita, senão não seria Deus!

O resto é conversa fiada de gente que quer ganhar dinheiro explorando a fé dos ingênuos!

Usando uma expressão de Nelson Rodrigues: que sentido faz escrever "o óbvio e ululante"!? 






quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

CUIDADO COM A LÍNGUA!

É comum se ouvir dizer que o Português Brasileiro é uma Língua muito rica.  O que é verdade!

Tão rica que, em certos momentos, pode nos colocar numa "saia justa, em apuros mesmo.

Há algumas preciosidades do nosso idioma quando o assunto é carne bovina.  Aqui na Bahia determinados cortes tem nomes diferentes do Sudeste (Rio e São Paulo).

Aí estão alguns exemplos: 

    SUDESTE                 BAHIA 
  Pá ou Paleta                      Cruz Machado 
  Lagarto Plano/Colchão Duro         Chã de Fora 
  Acém                               Miolo
  Lagarto Redondo                    Paulista
 
Somente essas diferenças já são suficientes para formar uma confusão. E pode dar até em briga se os envolvidos não forem tolerantes.

Dia desses, passando por um restaurante no Pontal (Ilhéus), deparei-me com uma placa que continha o seguinte anúncio:


Se eu fosse paulista, teria ficado preocupado.  Quem sabe, até ofendido!

Há uma outra história (ou estória) em que um bahiano (1), deu um "troco" num paulista pela "ofensa" recebida.

Recém-chegado a São Paulo (em tempos idos, pois ainda se fazia uso de pinicos) um bahiano foi ao comércio pra comprar um urinol (esse nome é mais simpático para esses coletores arcaicos de cocô e xixi).

No interior da loja, um tanto quanto acanhado, o bahiano aponta para uma prateleira e diz:

- Quanto custa?

O paulista olhou sem entender muito o que nosso conterrâneo queria comprar.

- Lá, em cima da prateleira!  -  insistiu o bahiano.

- Ah! O "bahiano"!  Você deseja comprar um?

Meio embaraçado com o que ouviu, o bahiano respondeu:

- Sim, quero.

- De que tamanho?  -  perguntou o paulista.

- Bem.... O suficiente para caber dois quilos de paulista dentro!  -  respondeu o cidadão da Boa Terra meio invocado e com uma expressão de sarcasmo.

Nota:

(1) - Um bando de gramáticos sem ter o que fazer quer que a palavra "bahiano" seja grafada sem "h". Eu não aceito escrever bahiano sem "h". "Baiano"  -  sem "h"  -  é derivação de baia.  Baia é lugar onde cavalos comem e dormem. Também não é o caso de "baíano", com acento no "i" e uma pronúncia proparoxítona. Esta forma deriva de baía, acidente geográfico. 

Para se entender melhor: 

- Bahia  -  Unidade Federativa (nosso Estado).
- Baia   -  Hospedaria para cavalos.
- Baía   -  Acidente geográfico (Baía de Todos os Santos, da Guanabara, etc.)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

COMO ERA SEU DESEJO...

...ABATIDO A BALA!

SÓCRATES

O mais politizado, inteligente e esclarecido entre todos os jogadores do futebol brasileiro!
 
Que Deus, em Sua Infinita Bondade, determine aos bons Espíritos o melhor acolhimento ao nosso querido Doutor Sócrates!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A SAGA DO CACAU



Leonardo da Vinci



Recordados como heróis ou sanguinários vilões, os coronéis - como eram conhecidos os grandes proprietários de fazendas da época de ouro do cacau - não são frutos da ficção engenhosa de Jorge Amado, Adonias Filho ou Euclides Neto. Libertinos, violentos, desalmados, sagazes, impiedosos ou ambiciosos? Possivelmente tudo isso e muito mais. No entanto, esses lendários e rudes homens que desbravaram o sul da Bahia, no final do século 19, enfrentaram desafios homéricos, lutando contra a natureza bruta, conhecendo a fartura e fazendo história. Pela posse de terras selvagens, utilizaram o trabalho árduo, a dominação pela força e regras acima das leis. Instigaram caxixes e tocaias, crimes abomináveis, mas começaram pobres e sem instrução, subindo na vida pegando no facão, na espingarda papo amarelo, alimentando-se de carne seca, farinha e rapadura. Embrenharam na floresta hostil para desmatá-la, implantando a monocultura em meio a Mata Atlântica. Moraram em casebres e dormiram em redes, antes de atingir as pompas reservadas ao coronelismo.

Em “Terras do Sem Fim” (1942) e “Tocaia Grande” (1984), celebrados romances de Jorge Amado, encontramos a descrição desse processo de ocupação, da luta pela terra, da disputa acirrada. A partir desse clima de contendas e desconforto, em meio ao perigo, aos índios, animais selvagens e doenças, surgiu a personalidade mítica dos destemidos coronéis. Através deles e de milhares de humilhados ou massacrados, que não tiveram a mesma sorte, vilas e cidades nasceram para a glória da região dos frutos de ouro, como eram conhecidas as amêndoas do cacaueiro. Os coronéis transformaram esses lugares em palco para os seus mandos, fazendo-se obedecer, elegendo representantes políticos, usurpando propriedades, manipulando as autoridades e, quando tudo isso não saciava a cobiça, mandavam jagunços assassinar os pequenos cacauicultores em emboscadas, ou muitas vezes esses acossados acabavam trabalhando para os próprios perseguidores, e conseqüentemente perdiam as suas roças. Temidos, às vezes admirados, eram ativos participantes da vida social grapiúna (*), líderes legitimados pelo voto, quase sempre conquistado pela força do dinheiro, das armas e controle das instâncias públicas – a justiça, a polícia e a cobrança de impostos. 

Eles não tinham limite de gastos: bebiam champanhe francês como aperitivo, perdiam fortunas na jogatina, freqüentavam cabarés, acendiam charutos com notas de quinhentos mil réis e bancavam luxuosamente prostitutas estrangeiras. Sinônimo de prosperidade, seus palacetes eram sobrados faustosos mobiliados com requinte europeu. Viviam no mais elevado estilo. Os trabalhadores, vindos dos sertões da Bahia e de Sergipe, mergulhados na exuberância da natureza, eram oprimidos de todas as formas: no salário que mal recebiam, nos preços extorsivos dos gêneros de primeira necessidade geralmente vendidos pelo próprio dono da fazenda, nas jornadas excessivas de trabalho e na ausência de serviços básicos, como educação e saúde.

A fama de Ilhéus e Itabuna correu mundo. Junto com ela chegaram imigrantes estrangeiros, principalmente turcos e libaneses, que sobreviviam como mascates, indo de fazenda em fazenda vendendo de tudo um pouco, e imprimindo a culinária árabe como uma das características da região cacaueira baiana. Os navios aportavam trazendo aventureiros em busca de riqueza fácil. Outros se deslocavam em animais ou mesmo em longas caminhadas, à procura do lucro certo e transformando a sociedade grapiúna em um misto de sotaques. No auge da lavoura do cacau, o sul da Bahia chegou a ser responsável por 40% da atividade financeira do Estado, num lucro inegável. Hoje, os coronéis, ex-deuses, são relíquias do passado e o cultivo do cacau passou da opulência à decadência. Porém, a saga dos plantadores de cacau dificilmente será esquecida, graças aos populares romances do itabunense Jorge Amado a aventura de uma pequena região se tornou conhecida em todo o Brasil e mundo afora, numa narrativa sedutora que relembra riquezas fundadas em episódios sangrentos, atentados e arruaças.



(*) Chame-se grapiúna aquele que nasce no sul da Bahia. A designação tem origem tupi, sendo corruptela de igarapé-una (igarapé, pequeno rio; una, preta) ou de igaraúna (igara, canoa; una, preta) com a queda da vogal e a contração das sílabas gara.

Saiba Mais Sobre o Tema em:
“Os Coronéis do Cacau” (1995), de Gustavo Falcón;
“Tensões do Tempo: A Saga do Cacau na Ficção de Jorge Amado” (2001), de Antonio Pereira Souza.




Coronéis Grapiúnas

ATAQUE JAPONÊS A PEARL HARBOR FAZ 70 ANOS

Considerado o maior episódio de emprego da Surpresa Logística da História Moderna, o ataque japonês a Pearl Harbor completará 70 anos no próximo dia 7.

O fatídico acontecimento foi determinante para que os EUA  entrassem na 2ª Guerra Mundial.

A investida da Marinha Imperial Japonesa, com seus aviões tripulados por pilotos kamikazes, produziu um prejuízo material e de vidas até então nunca visto em tão pouco espaço de tempo.  

Foram danificados/destruídos 188 aviões e 11 navios sediados na Base Americana de Pearl Harbor, no Havaí. O número de mortos totalizou 2.471, sendo 2.403 militares e 68 civis.

No jargão militar, a Surpresa Logística ocorre quando uma ação do inimigo ultrapassa todos os limites avaliados de suas capacidades logísticas.  No caso de Pearl Harbor, os EUA imaginavam que, de nenhuma de suas bases, os japoneses conseguiriam atacar os meios militares americanos ou qualquer outra estrutura em terra com o emprego da aviação.  

E isto era verdade!  Uma vez que os aviões da Marinha japonesa não possuíam autonomia de vôo para saírem de suas bases para o ataque e retornarem às mesmas.  Os americanos só não contavam com a ação de pilotos kamikazes, que não estavam nem aí para a própria vida. Aceitaram fazer um ataque suicida, sem nenhuma possibilidade de retorno ao local de decolagem.  Ainda que sobrevissem ao ataque, os tanques de suas aeronaves não teriam combustível suficiente para a volta.

Assim se deu a chamada Surpresa Logística, com a destruição de toda uma Esquadra dos EUA e a morte de quase 2.500 pessoas em território americano.

Naquela data  -  7 de dezembro de 1941  -, o Brasil ainda não havia entrado na guerra, o que só veio a ocorrer em 31 de agosto de 1942, quando submarinos alemães (?) teriam afundado 14 navios da Marinha Mercante Brasileira.


ALEGRIA DE POBRE



domingo, 4 de dezembro de 2011

RESENHA

 TERMINOU O BRASILEIRÃO

Como não poderia deixar de ser, começo meus comentários sobre o finado Campeonato Brasileiro de 2011, falando do meu clube do coração  -  Esporte Clube Bahia.

Nenhum torcedor do tricolor bahiano pode se dizer satisfeito com a pífia campanha que o Esquadrão de Aço da Boa Terra fez este ano. Muito menos eu!

O Bahia passou o campeonato inteiro tentando escapar da zona do rebaixamento. Desempenho indígno para um clube bi-campeão brasileiro.

Para o próximo ano, a diretoria do tricolor terá que rebolar para formar uma equipe que possa representar o Bahia à altura de suas tradições.

Uma boa medida é ir começando a ver o que pode ser aproveitado das categorias de base.  Não se pode esquecer que os meninos são vice-campeões da dificílima Taça São Paulo de Juniores.


Além disso, é preciso contratar novos jogadores. Há muita gente nova que despontou no atual campeonato.  Não vou aqui apontar as posições, até porque não conheço muito bem o que pode ser suprido com a prata da casa.


Quanto ao campeonato, de uma forma geral, considero que foi um dos melhores desde que o sistema de pontos corridos foi iniciado.


De vez em quando, ouço bobagens ditas por tupiniquins complexados, afirmando que o nosso campeonato nacional é de baixo nível quando comparado com o de países europeus.  Tudo bobagem!  Temos um dos melhores  -  se não o melhor  -  campeonato do mundo! E o nivelamento aqui é por cima.  Enquanto a maioria dos países da Europa possue dois ou três clubes de futebol de qualidade, aqui nós temos uma dezena ou mais. O problema é que temos um complexo de inferioridade que nos leva a desvalorizar nossas instituições e valorizar o que é de fora. Aqui mesmo na Bahia ocorre essa idiotia, quando um bando de baianos bestializados preferem torcer para clubes de outros estados.


No que diz respeito ao clube campeão  -  Corinthians  -, posso dizer que venceu a equipe que teve mais regularidade no decorrer da competição e que contava com o melhor elenco de jogadores.


Na verdade, as equipes mais regulares foram o Corinthians e o Vasco, mas este último, mesmo tendo uma equipe titular no mesmo nível e talvez até melhor do que o Corinthians, não contava com peças de reposição do mesmo nível do clube paulistano. Ninguém tem dúvidas de que o banco de reservas do Coringão é muito melhor do que o vascaíno. E isso, tanto em qualidade e faixa etária quanto em número de jogadores.  Acredito que isso fez a diferença.


E, por falar em diferença, para mim não fez diferença! Se o campeão fosse o Vasco da Gama, para mim daria no mesmo!


Sou bahiano de verdade!  Torço pra time do meu estado! Não foi a TV Globo, nem a rádio Globo e nem qualquer outra emissora do Rio que escolheu meu time de futebol!  A escolha foi minha!  Por isso, sou Bahia!


Neste ano, torci tanto para o Bahia quanto para o Vitória.  Infelizmente, não deu para o rubro-negro bahiano subir para a primeira divisão. O Vitória não é time de segundona! 

Vamos aguardar 2012! 

A VIAGEM

Hesíodo
A noite estava calma.  Naquele dia fui cedo para a cama e não demorei a dormir. Durante o sono, recebi a visita de um amigo.

Embora não tivesse recebido qualquer tipo de aviso, eu já tinha a intuição da sua visita.  Afinal, não foi a primeira nem seria a última vez que Hesíodo (1) me proporcionaria esse tipo de assistência.  Suas visitas periódicas, da mesma forma que faz parte do meu esclarecimento, também representa o aperfeiçoamento espiritual de Hesíodo.  É uma missão para ele, enquanto estiver na erraticidade.

Após breve diálogo e cumprimentos, Hesíodo me conduz pelo espaço, para o alto.  

- Vamos, você pode! Use seu pensamento!  -  disse-me ele.

Eu já estava acostumado com aquilo, mas sempre ficava hesitante no começo.

Volitando, fomos nos afastando do ambiente terreno. À medida que nos afastávamos, via meu corpo físico deitado na cama, no interior do meu quarto. Continuava lá, ao lado do cônjuge, mas somente em matéria.

Preocupo-me em "me deixar" só e também à minha companheira.  

Lendo meus pensamentos e percebendo minha apreensão, meu Instrutor diz: 

- Não se preocupe! Você está lá, aqui e também ali! - Disse Hesíodo olhando para o meu corpo dormindo, tocando-me ao seu lado seguindo viagem pelo espaço e com o indicador apontado para uma direção cuja visualização ainda não me era muito clara. 

Durante a viagem, cruzamos com vários grupos formados por espíritos encarnados e desencarnados. A identificação dos encarnados  -  como eu  - me era fácil: pelo laço fluído que permanecia ligando-os ao corpo físico, como sempre acontece nessas situações de desprendimento temporário do cárcere carnal. 

Percebendo meu interesse no que via, Hesíodo disse: 

- São todos Instrutores acompanhados de seus respectivos aprendizes!

Mal Hesíodo acabara de fazer aquela observação, fomos transportados com a velocidade do pensamento a um lugar belo e harmonioso e, aparentemente, muito distante do orbe terreno. 

O lugar era o cume de uma enorme montanha.  De lá de cima, podíamos avistar tudo o que se passava embaixo: lugares, caminhos, pessoas, animais, acidentes geográficos naturais e construídos pela ação do homem...  Parecia um ponto qualquer da Terra, onde um grande vale se estendia até onde a vista humana podia alcançar.

E eu via tudo aquilo extasiado. Era como se uma enorme tela de cinema estivesse estendida aos meus pés, há poucos metros dos meus olhos, como ocorre nas salas de projeção em três dimensões.

Olhando para aquele cenário, meu cérebro foi invadido por indagações. Para cada dúvida que ia surgindo, uma interrogação.

Hesíodo, conseguindo ler todos os meus pensamentos, dispôs-se a explicar-me. 

Primeiro, me perguntou:

- Você já conseguiu se ver na paisagem?! Lá no fundo do vale?!

-  Já! - Respondi e fui acrescentando: - Só não entendi muito bem por que a parte da paisagem situada à minha frente está encoberta por uma espécie de névoa que me impede de enxergar com clareza tudo o que está lá!

- Veja bem!- Volta a explicar Hesíodo. - A parte iluminada a sua retaguarda é o caminho que você já percorreu nesses 61 anos de vida.  Você, certamente, consegue se lembrar da maioria dessas passagens?  

- Consigo!  

-  Então..., a parte que está à sua frente, sob uma leve penumbra, é o caminho que lhe cabe ainda percorrer!  É o futuro...!  

-  E isso me será mostrado agora!? - Indaguei, num misto de ansiedade e receio. 

- Não da forma que você deseja.  -  Disse-me Hesíodo sem rodeios.  -  Somente o que lhe seja útil de agora em diante para o seu progresso.  -  Concluiu meu Instrutor.

E continuou:

-  Antes, quero que você analise o que já fez: as decisões tomadas; os acertos; os erros; as escolhas equivocadas e precipitadas, geralmente, influenciadas pelo apego às coisas materiais, às ambições, aos prazeres mundanos...

E o meu Instrutor, calmamente, foi me explicando tudo:

- Preste atenção! Veja que a cada tomada de decisão você tinha mais de uma opção para fazer sua escolha. Com seu livre arbítrio, você fez aquela que julgou mais acertada para o momento, mas, na maioria das vezes, seguindo em primeiro lugar seus interesses pessoais, menores e imediatos. Analise cada uma dessas escolhas! Perceba que você não levou muito em consideração aqueles que estavam à sua volta; que poderiam ser prejudicados e/ou beneficiados, de acordo com a decisão tomada...

Era como se eu estivesse assistindo um filme contendo uma retrospectiva da minha vida. Exatamente assim, tudo que via estava limitado a esta vida. Não me era permitida a apropriação de ocorrências de vidas anteriores. 

E eu estava lá! Dentro da tela...  Não apenas me via naquele vale, eu estava nele física e espiritualmente! Percebia tudo que se passava... Sentia vontade de regredir a determinados instantes do passado para uma reavaliação e mudança de escolhas já feitas. Mas, isso não seria possível  - eu sabia.

Continuei fazendo a análise proposta por Hesíodo... 

Constatei que em muitos momentos, equivocadamente, fiz opção pelo caminho mais fácil e que atendia aos meus desejos materiais.  Muitas das escolhas foram ditadas pela praticidade do conhecido e o receio do novo e desconhecido. Escolhas que, muitas vezes, levaram-me a enfrentar contratempos e dissabores que não somente atingiram a mim, como também a pessoas que estavam ao meu lado e que faziam e ainda fazem parte do meu círculo familiar e de amizades. Evitara os caminhos acidentados e montanhosos, cheios de obstáculos, pelo medo de transpô-los, e me iludi com a facilidade da estrada plana e bem pavimentada. Não tive a percepção de que aqueles obstáculos faziam parte das provações assumidas e que, por isso, deveriam ter sido enfrentados  -  transpostos, removidos ou equacionados...  Iniciei um instante de reflexão: "Deixei-os para trás! Um dia deverei retomá-los. Quando!?  Somente a Providência Divina saberá dizer...!" 

Hesíodo nem precisava ler meus pensamentos, meu semblante lhe dizia tudo.  Traduzia claramente todos os meus sentimentos naquele momento.

- Agora, tenha bastante atenção! 

E Hesíodo foi, aos poucos, descortinando as paisagens e os caminhos que se encontravam enevoados à minha frente.

- Vês aquele caminho à sua direita?  Você está prestes a percorrê-lo; se optar por ele, claro. O certo é que ele estará entre as alternativas que lhe serão apresentadas futuramente. Em seu começo, você pode enxergar várias coisas que representam os prazeres materiais, as curtições, certo!?

Assenti:
- Certo!

-  Olhe um pouco depois... Pelo mesmo caminho, um pouco mais à frente!

Seguindo a recomendação do guia e amigo, pude ver que aquele caminho  -  cujo começo parecia, digamos, interessante - levava a situações embaraçosas, resultados pouco nobres e, fisicamente, mostrava precipícios e enormes despenhadeiros instransponíveis.  Por ele, haveria muito sofrimento e tempo perdido, pois seria obrigado a voltar para retomar novos compromissos e novas sendas, fazer novas escolhas. Ia ficando muito claro para mim que tudo estava subordinado a uma questão de escolha.  Uma escolha que era somente minha!

Compreendi que os caminhos que, inicialmente, poderiam exigir algum sacrifício e esforço  pessoal - renúncia, denodo, ousadia, coragem -, conjugavam-se com outros, mais suaves, à frente. Sobretudo, encontraria lugares e tempos para repousos temporários, onde abnegados amigos encarnados estavam dispostos a ajudar-me e a aconselhar-me com seu apoio, durante a caminhada. 

Esses caminhos eram entrelaçados, de forma que várias ligações intermediárias  -  espécies de atalhos  -, permitiam a comunicação entre eles. No final, o ponto a ser alcançado era sempre o mesmo:  o Reino do Amor e da Caridade.

Essa compreensão só me era possível porque eu estava ali, no cimo daquela imensa montanha, e vendo-me pequenino  - como verdadeiramente sou  -, no fundo daquele vale. Mas, sobretudo, porque meu abnegado e caridoso Instrutor estava autorizado a me  mostrar alternativas que desprezei ontem, além de outras que serão ainda vivenciadas  -  amanhã.

À medida que eu absorvia o ensino de cada lição, novas sendas iam sendo descortinadas por Hesíodo

Percebi que os caminhos, inicialmente mais difíceis, eram as escolhas mais acertadas.  Proporcionavam, com o exercício da solidariedade e da tolerância, o ganho de novas experiências em seus trajetos e, o que era mais importante, propiciava a prática do Amor com o próximo. E o que fazia o bem e a felicidade das pessoas, também me fazia feliz.  Percebi que a renúncia a determinados prazeres e ambições descabidas, representavam um gozo extraordinário em felicidade, tanto para mim quanto para os que me eram mais próximos. 

Antes de retornarmos  -  e eu havia perdido totalmente a noção do tempo  -, Hesíodo fez questão de apresentar-me a outros Instrutores e seus respectivos aprendizes, que ali se encontravam com a mesma finalidade.  

Desse modo, pude conhecer Argaios (O Iluminado), Adalta (A Espiritualizada), Óbulo (O Sábio Conselheiro), dentre outros expoentes da Espiritualidade Maior.

Ao nos despedirmos, já no interior dos meus aposentos, Hesíodo asseverou que quando do meu retorno ao corpo físico, esqueceria boa parte de tudo que havia visto naquela viagem. No entanto, todo aquele aprendizado permaneceria gravado em minha mente como uma lembrança intuitiva e indelével.  Jamais se apagaria! Toda aquela experiência poderia ser utilizada nos momentos de reflexão antes da tomada de novas decisões e escolhas importantes, daquele momento em diante!

Autor:  J. A. Souza Neto

(1) Hesíodo  -  Aquele que Guia.

DIRETO DO "VIDA LOUCA"


Cenas do dia-a-dia nas campanhas!

                                                                           
Antonio Nunes de Souza*

-Boa tarde minha senhora. Tome aqui esse santinho!
-Que santinho que nada, meu filho. Isso aí devia ser chamado diabinho!
-Nada madame, esse é nosso querido candidato que vai resolver todos os problemas.
-Só se for os dele, pois a maioria vai pra lá para viver na mamata!
-Com esse é diferente. Trata-se de um político honesto, trabalhador, humano e solidário que, por amor ao povo, vai lutar em favor dos brasileiros.
-Só se for os brasileiros da família dele. Porque quando são eleitos, para eles os outros todos passam a ser estrangeiros.
-Foi ele o autor do projeto que mudou o nome da Rua das Muquiranas para Avenida Lourdes Amorim.
-Grande coisa! E quem é essa tal de Lourdes?

- A mãe dele!
-Ah!Ah!Ah! Tô dizendo que ele é mesmo um filho da mãe! Homenageou logo a mãe que ninguém nem sabe quem é.
-Está com o projeto pronto para nesse novo mandato, quando alguém morrer por bala perdida ter direito ao funeral grátis pago pelo governo, com direito a missas mensais durante um ano, e no velório, uma vela daquelas grandes chamadas de “sete dias”. Não é comovente?
-Claro que é! Dá vontade até de chorar, mas, de raiva desse desgraçado. Ele devia era cuidar dos vivos e não dos mortos. E essa vela grande, seria um gesto sublime de solidariedade ele arranjar em seu próprio corpo um lugar aconchegante e enfia-la e, com a dor, chorar bastante no enterro como se fosse uma carpideira.
-A senhora está sendo muito radical. Será que não vamos contar com seu precioso voto?
-Você falou uma verdade. Meu voto é precioso e não vou dar a esse candidato de jeito nenhum!
-Ele também está preocupado com  a aparência das mulheres e consta na sua pasta outro projeto que sei que a senhora vai vibrar.
-Diga aí para ver se é interessante.
-Aplicação através do SUS de silicone nas mamas e enxerto nas nádegas para deixar todas as mulheres com os bumbuns lindos, empinados e arredondados.
-Só porrada num cretino desse! Se preocupar em seios grandes para mamar numa boa e preparar as bundas da gente para... nem vou dizer meu filho, pois você bem sabe!
-Bem, não vou insistir com a senhora, mas, se mudar de idéia... o número dele é 666.
-Eu sabia que só podia ser o número do Capeta!  Vade retro Satanás!!!

*Escritor (Blog Vida Louca – ansouza_ba@hotmail.com)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

DICA DE SAÚDE


No mês de novembro, em "DICA DE SAÚDE" apresentei o caso (hipotético) daquele "gordinho" ou "gordinha" que é visto (a) correndo/caminhando todos os dias nas avenidas de Ilhéus e, aparentemente, não perde peso.

Na ocasião, comentei sobre a TMR (Taxa Metabólica em Repouso) e apresentei algumas considerações sobre a absorção e o consumo de calorias, mostrando a importância de se estabelecer um "deficit" diário.

Hoje, vou acrescentar mais uma razão para que o nosso "PRATICANTE"  - foi assim que o denominei no artigo anterior  -, permaneça com aquela silhueta roliça, não obstante todo o esforço que faz com a prática diária dos exercícios físicos.

Primeiro, não é verdade que os exercícios Aeróbicos  - carga contínua e de baixa intensidade  - sejam os melhores para "mobilizar" e "queimar" gorduras armazenadas e ganhar massa magra. 

Já houve essa crença.  No entanto, estudos mais recentes comprovam que os exercícios intervalados em velocidades submáximas (80/90% do VO2 Máx) são mais eficientes. Nesse caso, o balanço energético negativo (calórico e de lipídios) faz com que a requisição e a queima das gorduras (lipólise) persistam ainda por algum tempo depois do treinamento. 

Desse modo, as adaptações que ocorrem nos músculos, como resposta ao treinamento intervalado mais intenso, tendem a favorecer o metabolismo dos lipídios (gorduras).

Apesar de mais eficientes para esse fim, exercícios em intensidades mais altas só são recomendáveis para indivíduos moderadamente treinados, com peso corporal dentro da faixa e com razoável fortalecimento muscular. Fora desses padrões tal alternativa não deve ser explorada.


Nunca é demais lembrar que o risco de lesões das estruturas do corpo e até de afetar o sistema cárdio-circulatório aumenta quando se imprime velocidades mais altas, ainda que intercaladas com tempos de repouso.

Com o acima exposto, eu não estou dizendo que o nosso praticante citado como exemplo não esteja obtendo nenhum benefício. Pode sim, estar obtendo algum  benefício.  

Para isso, é necessário que venha exercitando-se com a regularidade de 3 ou mais vezes por semana; com uma duração diária de 30 minutos ou mais e uma elevação dos batimentos cardíacos a  -  pelo menos  -, 120 BPM (batimentos por minuto). 

Além disso, é necessário que faça uso de uma sobrecarga semanal, isto é, a cada semana a distância percorrida deve ser aumentada ou o tempo diminuído. 

Assim, nosso praticante poderá fortalecer o músculo cardíaco, aumentar o número e o diâmetro dos vasos sanguíneos, o volume e o número de glóbulos vermelhos do sangue, a capacidade vital e etc. 

Isto resultará na melhoria de sua Capacidade Aeróbica, qualidade que possibilita a execução de tarefas diárias com vigor e vivacidade e sem fadiga, e considerada relativo fator de boa saúde. 

IMPORTANTE! 

Todo exercício físico deve ser executado sob a orientação e supervisão do profissional de Educação Física. Em se tratando de treinos com cargas entre o Limiar Anaeróbico e o VO2 Máx  - como é o caso dos intervalados  -, essa exigência é ainda maior, por conta dos riscos.

Antes de iniciar um programa de treinamento físico  -  independente de sua finalidade  -, procure o Profissional de Educação Física.

J. A. Souza Neto  -  Professor de Educação Física