2101 – O LIVRO QUE AINDA NÃO FOI ESCRITO
COMPROMISSOS: Rasgar o véu da mentira travestida de verdade. - Estimular o exercício do pensamento inteligente. - Elaborar e reproduzir artigos e crônicas capazes de sensibilizar e despertar o senso crítico. - Contribuir na análise crítica de informações e notícias difundidas pelos meios midiáticos televisivos e impressos.
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FAL, MEU INSEPARÁVEL AMIGO!
Era começo dos anos 70... eu já estava morando no Rio. O dinheiro do meu velho avô que vinha da Bahia tinha "criado asas". Suas fazendas de cacau haviam sido penhoradas por um banco onde ele tinha pegado uma grana para custeio e não pode pagar. E aqui, na Cidade Maravilhosa, eu era "custeado" pelo velho Cazuza, meu avô.
Foi assim que tive a oportunidade do primeiro contato com FAL. Um conhecido meu, que era Fuzileiro Naval, me disse: "Cara, por que você não entra pra Marinha?" "É melhor do que voltar pra Bahia, com uma mão na frente e outra atrás!"
Até que a idéia não era tão ruim assim... pensei.
Seguindo a orientação do amigo, no dia 7 de abril de 1970, ingressei nas fileiras do Corpo de Fuzileiros Navais. - os "pragas amarelas", como eram conhecidos pelo pessoal da "Marinha de Gola". Não sem antes realizar um concurso, claro. A concorrência já era grande naquela época!
Assim que cheguei no Batalhão, passei por toda aquela transformação "natural" que faz um "paisano" virar "milico". Como (quase) todo mundo conhece a sutileza do processo não vou perder tempo contando.
Não demorou muito e eu fui apresentado a FAL. Seu nome completo de batismo era Fuzil Automático Leve. Sua nacionalidade belga e seu calibre 7,62 milímetros. Jamais imaginei que iria ter um amigo estrangeiro tão depressa no Rio. E o que era mais importante, eu deveria mantê-lo permanentemente nas mãos, no ombro ou cruzado junto ao peito, próximo ao coração. Isso, quando estivesse em vigília, pois, quando dormindo, deveríamos dividir a mesma cama (beliche).
Esse meu mais novo e inseparável amigo tinha características muito próprias: 1,10 metros de estatura, da soleira da coronha à ponta do cano,
A amizade por FAL foi tanta, que decidi ficar nas fileiras dos "pragas amarelas" por 30 anos. Porém, nesses 30 anos, tive que cometer algumas infidelidades com o amigo. Com menos de um mês, me apresentaram INA, uma brasileira que "vomitava pombos" mais rapidamente do que FAL. INA era uma submetralhadora dengosa e, também, toda pretinha. Seu nome era derivado de "Indústria Nacional de Armas". Mas, tinha uma mania que eu não gostava: engasgava de vez em quando, especialmente, quando tinha que "transar" uns balaços com maior rapidez. Quando eu enfiava o dedo de forma mais acentuada em seu ponto "G", ela sempre "travava".
Não demorou muito, e eu fui sendo apresentado a outras...
Meu amigo FAL ficava um pouco enciumado, mas, não tinha jeito... Fazia parte da vida dos "pragas amarelas", conhecer e flertar com todas aquelas beldades. Podia precisar se safar com uma delas num momento de sufoco, quando a "jiripoca piasse". E, naqueles tempos bicudos, no Rio, a "jiripoca" sempre "piava"!
Tempos depois, fui obrigado a conhecer COLT 45. Uma balzaquiana, nascida nos Estados Unidos, que provocava grande impacto entre os fuzileiros, pois o calibre de seu "alimento" era mais grosso, e, quando botava pra fora, fazia estragos irreparáveis.
COLT 45 fora a amante preferida dos oficiais aliados durante a 2ª Guerra Mundial.
Depois vieram outras apresentações, novos amigos e novos amores. Armas como FAP - Fuzil Automático Pesado -; THOMPSON, uma "menina" fabricada nos EUA e que rivalizava com INA, dentre outras, como as de grosso calibre, como os Morteiros, os Canhões Anti-Carro e os Lança-Rojões.
Aconteceu o momento de ser apresentado a BERETTA. BERETTA era muito charmosa, carregava 15 "bombons" de uma só vez e possuía dupla-ação. Ela veio pra desbancar COLT 45, que tinha uma idade avançada, mas não reinou por muito tempo. Foi logo substituída por TAURUS PT92AF, lindíssima garota gaúcha, do Rio Grande. Também "engolia" e "cuspia" 9 milímetros, tinha a mesma capacidade de BERETTA e também funcionava em dupla-ação.
Ah, ia esquecendo... Também tive um caso amoroso muito sério com MAG, quando fui do Pelotão de Petrechos. MAG - a Metralhadora Automática a Gás - esse era seu nome completo. Pesadona e muito eficiente. Tinha a mesma nacionalidade de FAL e FAP - a Bélgica. MAG possuía um impresionante poder de "fogo" - até mil "azeitonas" em um minuto! Acima de tudo, era versátil. Deixava-se possuir em várias posições: a tira-colo, nos momentos de assalto, ou confortavelmente acomodada sobre um tripé, nas situações de defensiva.
Nesses 30 anos nos "pragas amarelas", tive muitas "amantes", mas nunca abri mão da amizade com FAL. É que, muito cedo, descobri que FAL era o único que não me deixava "na mão"... Não "negava fogo" nem mesmo quando as circunstâncias eram altamente desfavoráveis: depois de mergulhado na água ou mesmo recoberto de lama... FAL estava sempre pronto para o que desse e viesse...
Mesmo depois que fui apresentado e tive um leve contato com AR-15 e AK-47 - espécie de primos carnais mais novos de FAL -, não dei muita bola pra eles. Havia uma grande amizade entre mim e FAL. Nada podia mudar isso. Tinha com ele uma extraordinária consideração. Além disso, FAL confiava plenamente em mim e eu nele. Mexia sem cerimônias em todas as suas partes. Éramos tão amigos que eu o desmontava e montava em poucos minutos e até com venda nos olhos. Percebia suas peças apenas pelo tato; retirava-as e as colocava no lugar. Além disso, perdemos a conta das vezes que dormimos no mesmo bivaque, na mesma barraca, dentro d'água, no meio do mato... Passamos pelos mesmos perigos... Juntos... sempre juntos! Quantas vezes guardei-o entre pernas, outras preso pela bandoleira, às vezes a tira-colo, enquanto dormia!? O medo de sermos surpreendidos um longe do outro era maior do que tudo, por isso o chamego. E, naquelas circunstâncias, um sem o outro não era nada! Chegamos a uma tal intimidade que, quando eu o mandava acertar o centro do alvo, ele não me decepcionava... era mosca na certa! A sinalização que vinha lá do fosso onde ficavam os alvos indicava: cinco pontos em cada disparo! Nunca demos "banho de areia" nos marcadores que ficavam abrigados nos pés dos alvos da Linha de Tiro. Por isso, minha mãe nunca era xingada por eles. Meu FAL foi responsável por me tornar um atirador de "1ª Classe" e respeitado nas fileiras dos "pragas amarelas". Hoje, meu amigo, você - caso ainda não tenha se "aposentado", como eu - deve estar em outras mãos... Espero que bem cuidado, como antes... na base do óleo lubrificante nas quantidades certas nas partes móveis e bem sequinho, com flanelas e varetas, na alma raiada!
Souza Neto
SOBRE A DOR
UMA BANANA PARA O RACISMO
Arranjei um tempinho para escrever sobre essa onda de preconceitos racistas que estão ocorrendo por aí. Em especial no Futebol. Aliás, não somente nesse esporte... Como em quase tudo nessas terras de Santa Cruz.
Sinto-me bem à vontade pra falar do assunto... sou mestiço. Meu pai trazia muito acentuadamente os traços de sua descendência portuguesa; enquanto a minha mãe, marcantemente, os de sua origem indígena.
No Brasil, o maior preconceito não é pela cor da pele; senão pela região de nascimento, pelo poder aquisitivo, pela humildade...
Mas, isso incomoda a quem mesmo!?
Conheço gente que nasceu na roça debaixo d’um pé de cacau e galgou posições consideradas, digamos, de destaque por alguns.
Dei risadas pelos cotovelos quando o baiano Daniel Alves descascou e comeu a banana que lhe foi jogada no campo durante uma partida de futebol realizada em um país europeu.
Aos jornalistas, Daniel respondeu
após o jogo:
“Estou na Espanha há 11 anos e há 11 anos é dessa maneira. Temos de rir dessa gente atrasada”.
O resto e mimimi!
E viva a diversidade!
SEM IGUAL
Em que outro lugar...
É possível encontrar
Tantas belezas naturais:
Rios, praias, manguezais,
Belos e esvoaçantes coqueirais!
Em que outro lugar...
Essa gente, essa Terra;
Esse vasto céu anil.
Procurando não encontro
Noutros cantos do Brasil!
Em que outro lugar...
Rica fauna, flora...
Belíssima! Sem igual!
Somente em Canavieiras.
E a riqueza mineral?
Não me faça esperar...
Marinheiro, professor!
Diga logo, por favor.
Nas andanças de além-mar
Lugar tão belo encontrou?!
Sem delongas nem rodeios...
Ó caixeiro-viajante!
Que já viajaste bastante.
Nas bandas por onde andaste,
Lugar tão belo encontraste?!
Com o coração em êxtase
Falo de Canavieiras.
Terra amada por seus filhos.
Ao largo, singra o navegante
A deslumbrar-se com seu brilho.
A contragosto finalizo
Essa prosa fraternal.
Neste meu blog não cabe
Milésimo... muito menos metade
Das riquezas e belezas da minha Terra
Natal.
SOUZA NETO, J. A. - nascido debaixo
dum pé de cacau, é Pai, Marinheiro, Professor-Regente do Magistério da Bahia e
Membro da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC).
IMPACTOS DO REGRESSO
Júbilo e satisfação... voltei, revi, procurei...
Era junho de 2000; o povoado efervescia com os festejos a Antônio de Atalaia.
Defronte à singela orada, "surfando" minha face, os alísios
vindos do Atlântico soavam como uma ode.
Sibilar emocionante a encharcar minh’alma de recordações dos tempos de
menino.
Transcorrem os dias... Vem-me a percepção da realidade.
É visível o medo estampado na fronte de cada homem, cada mulher...
Meu aceno com o bom fruto e águas límpidas não fazia eco.
Parecia não haver sedentos que quisessem aproximar-se... e beber... e
saciar-se.
Vi-me na encruzilhada do partir e do ficar.
Partir pela covardia de enfrentar... ficar pela necessidade de pagar a
dívida social com o povo de Canavieiras, minha Terra.
Tomei a decisão mais difícil. Sentei-me nas encruzilhadas dos caminhos
mais usuais. Aguardei maiores possibilidades de intercâmbio, trocas... Sem
buscar recompensas.
Pus-me, expus-me diante dos poucos famintos e sedentos de saber e
ansiosos por mudanças.
Quase nada a oferecer... apenas frutos do meu pomar, que não estavam
podres, e um pouco de água limpa e cristalina, lentamente filtrada pelos anos.
Ousei, até ousei, imaginem! E por ousar rabisquei alguns textos.
Até disse, e ainda digo, que quatro páginas impressas era um jornal. O
Aríete não tinha lado... nunca esteve “vendido”.
Senti, observei... Em alguns, vi reflexos de sensatez.
Teria encontrado quem quisesse comer do bom e maduro fruto? Beber e
saciar-se da água pura?
Era cedo pra dizer. Minha necessidade em doar era maior que a daqueles
que precisavam receber.
Minhas angústias eram pesados grilhões que me fortaleciam na
perseverança e na busca de resultados.
Enfim, o estandarte estava desfraldado! Não havia mais possibilidades de
recuo!
Pregava a defesa da moralidade e honestidade na administração pública;
intencionava o banimento dos atavismos e o despertar da razão em todos os
corações.
Com fibra e altivez, foi hasteado e mantido no topo das consciências;
içado no ponto mais alto, onde o pensamento atávico, retrógrado não pudesse
alcançá-lo.
Janeiro de 2009... Um pouco cansado de tudo... A mesmice campeando pelos
quatro cantos...
Parti para dar abrigo aos anseios dos meus que reclamavam oportunidades
de estudos mais avançados na cidade de Ilhéus.
No transcurso de 9 anos, minha vida foi uma gota de sangue nas veias de
Canavieiras e uma lágrima nos seus olhos e um sorriso nos seus lábios.
Marchei com passo firme rumo à verdade. Como lâmpada que não se apaga,
sal que o tempo não estraga, sonhos que o despertar de cada manhã não dissipa.
Trago comigo a certeza de que a muda do coqueiro plantado nas areias de
Atalaia viverá mais do que todas as chicanas engendradas pelos políticos de
minha Terra!
Que o carro de madeira puxado pelos bois na fazenda Barreiras é mais
nobre do que todas as ambições dos mentecaptos do poder.
Que, até mesmo, as hortaliças plantadas nas terras secas da Burundanga
durarão mais do que a pérfida negociata dos salafrários do poder contra meu
povo.
Tentei reunir pequeninas sementes, que plantadas no solo fértil das
Dragas, poderiam ter sido esperança de redenção de tua floresta seca. Mas, em
meio a elas estava o joio!
Muitos estão satisfeitos. Eu sei. E haverá satisfação enquanto a
inexorabilidade do tempo e a infalibilidade das Leis Universais não suplicar
seus espíritos.
Eu – ainda que insatisfeito -, sigo com suavidade e paz, pois sei que há
coisas em Canavieiras que os capadócios do poder nunca irão mudar:
O Rio Pardo continuará correndo para o mar ainda que alguns tentem
represar suas águas;
Os ventos alísios continuarão o seu canto nas palhas dos coqueirais;
O vai-e-vem das marés continuará a dar vida aos teus manguezais.
Dia virá em que os falsos líderes, ambiciosos do poder temporal, que se
sustentam às custas do suor alheio, terão o manto negro rasgado.
Dia virá em que a mentira escondida sob o véu das falsas inteligências e
a astúcia disfarçada pelo esnobismo sucumbirão.
Então, a verdade genuína e desnuda olhar-se-á num poço de águas claras e
verá seu rosto sereno e seus traços abertos.
Nesse dia, cada canavieirense sentir-se-á um sábio, que sentado à sombra dos coqueirais, olhará com indiferença para tudo que não é Deus, nem Luz, nem Sol!
Souza Neto, J. A. - nascido debaixo dum pé de cacau, é Pai, Marinheiro,
Professor-Regente do Magistério da Bahia e Membro da Academia de Letras de
Canavieiras (ALAC).
Há pouco, postei uma prosa intitulada Maria.
Maria
Estou em campanha para um cargo político neste ano de 2020.
Estou vivendo num hospício. Ou melhor, estamos...! Escrever isso me fez lembrar do Lima Barreto e do seu "Diário de um Hospício".
Para mim, Barreto foi, o melhor escritor carioca. Depois eu justifico essa afirmação. Clara dos Anjos chegou às minhas mãos por acaso, depois li Recordações do Escrivão Isaías Caminha. Em 2009, pela necessidade de ajudar minha mulher Gilma e meu filho Eduardo numa atividade do curso de Enfermagem, acabei pesquisando e lendo um resumo de Diário de um Hospício.É um empregado do povo pago com dinheiro do contribuinte. A ele são atribuídos (delegados) poderes para defender os interesses da sociedade.
HIPOCRISIA GLOBAL
A humanidade está carente de boas ações e tem muita gente querendo tirar proveito disso criando ONG e fazendo uso de sua capacidade de comunicação com a sociedade para obter dinheiro. Observe que determinados projetos só aceitam dinheiro! Quem doa não tem a garantia de que sua doação será utilizada para o bem dos que mais necessitam. No caso da Globo, vê-se claramente que que se trata de uma instituição sem compromisso com a evolução e o bem-estar da sociedade.