segunda-feira, 12 de março de 2012

OS HERÓIS SÃO BAIANOS, MAS...

...NA BAHIA POUCO SE COMENTA.


A saga dos heróis brasileiros no inóspito deserto de gelo

Heróis: Carlos Alberto Vieira Figueiredo e Roberto Lopes dos Santos

Peter Moon

ImagemSACRIFÍCIO: O suboficial Figueiredo (no alto) e o primeiro-sargento Santos. Mortos no cumprimento do dever
O ser humano parece um frágil alienígena no ambiente hostil da Antártica. Quase todos os anos, seus caprichos cobram vidas. Na madrugada do sábado 25 de fevereiro, foi a vez de dois militares baianos, veteranos do Programa Antártico Brasileiro. Eles morreram combatendo o incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz e paralisou o Programa Antártico Brasileiro.
O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo, de 47 anos, era eletricista na base. Natural de Vitória da Conquista, entrou na Marinha em 1982. Estava havia 11 meses na Antártica. Em março, voltaria ao Brasil. Em 2012, completaria 30 anos de serviço e se aposentaria. “Era sua última missão”, diz um de seus dois filhos, Vitor. “Meu pai tinha realizado o sonho de ir à Antártica. Ia se aposentar. Iríamos mudar para Aracaju, onde ele iria descansar.”
O primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos, de 45 anos, nasceu na cidadezinha de Salinas da Margarida. Mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Entrou na Marinha em 1985. Era eletricista e veterano da Antártica, onde participou de duas missões, em 2001 e 2007. Previa se aposentar em 2013. Santos era faixa preta e instrutor de judô. “Ele dava aulas de judô por prazer. Queria ensinar o esporte a crianças carentes”, diz Nair, sua mulher e mãe de seus dois filhos.
Figueiredo e Santos integravam o grupo de combate a incêndio da Estação Antártica Comandante Ferraz, que começou a funcionar em 1984 na Ilha Rei George, a 130 quilômetros da Península Antártica. No momento do incêndio, a estação abrigava 59 pessoas. O fogo começou na “praça de máquinas”, onde ficam os geradores de energia, movidos a um diesel anticongelante fabricado pela Petrobras.
Houve evacuação da estação. Figueiredo e Santos voltaram para tentar apagar o fogo – e sumiram. De acordo com o primeiro-tenente Pablo Tinoco, que estava no local, os dois usavam roupas, máscaras, cilindros de oxigênio e tinham cordas amarradas ao corpo, para ser puxados em caso de emergência. “Como demoravam a voltar, três homens tentaram ir atrás deles, mas a temperatura era alta demais. Um homem se arrastou para dentro da base, mas o comando mandou que voltasse. Não havia segurança.”
A base foi abandonada. Os sobreviventes foram transferidos a uma base chilena, de onde voltaram ao Brasil. Os corpos de Figueiredo e Santos desembarcaram no Rio de Janeiro. Foram recebidos com honras militares pelo vice-presidente Michel Temer e pelo comandante da Marinha Julio Soares de Moura. A presidente Dilma Rousseff, que estava no Recife, afirmou que vai reconstruir a base e chamou os dois de “heróis brasileiros”. Morreram no cumprimento do dever.

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